Fórum Social Mundial Palestina Livre
Vanessa Gil*
Entre
os dias 28 de novembro e 1 de dezembro de 2012, em Porto Alegre, será
realizado o Fórum Social Mundial Palestina Livre. A Marcha Mundial de
Mulheres integra o comitê nacional e local de organização do evento. Mas
qual a ligação do movimento feminista com o que ocorre na Palestina?
A
luta do povo palestino se inicia em 1948, quando a ONU concede mais da
metade do território palestino para a criação do Estado de Israel. Isso
atendia aos interesses não só do movimento sionista, como aos interesses
econômicos da Inglaterra. Não é a toa que Israel tem servido como
principal aliado dos interesses imperialistas na região.
Entretanto,
o movimento sionista não se conteve em ver o seu país consolidado e
passou a ocupar as terras que haviam sido deixadas para os
palestinos/as, mesmo que esses/as tivessem uma população muito maior.
Desde
então, as palestinas e palestinos têm sido expulsos de suas casas e
sofrem as mais cruéis formas de violência por parte do exército de
Israel. Um exemplo disso foi o massacre no campo de refugiados de Sabra e
Chatila, que deixou mais de 3 mil palestinos/as mortos/as, e que
completou trinta anos em setembro. Na noite de 16 de setembro de 1982,
os militares israelenses liberaram o caminho para que Milícia Libanesa
Falangista Cristã entrasse no campo em Beirute e massacrassem os/as
alojados/as. Crianças, idosos/as e homens foram mortos, enquanto as
mulheres eram estupradas.
Pela desmilitarização e liberdade para as mulheres
Nós
da Marcha Mundial das Mulheres compreendemos que em guerras e
territórios militarizados as mulheres são as mais afetadas. É delas a
responsabilidade de cuidar das crianças, dos idosos/as e dos/as doentes.
O vídeo acima demonstra o sofrimento das mulheres que sobreviveram e
que ficaram sem os pais, maridos, filhos e filhas. Seu direito de ir e
vir torna-se nulo diante dos incontáveis toques de recolher impostos por
Israel e pelo perigo de depara-se com um soldado israelense. A
ideologia imperialista, patriarcal, racista e militar de Israel impede a
liberdade e destrói a vida das mulheres palestinas.
Pelo fim de todos os muros
A
ideologia do Estado de Israel tenta confundir antissionismo com
antissemitismo, tentando transformar os processos de resistência de um
povo que vive sob ocupação militar em terrorismo. Utilizando-se do
pretexto da “segurança” contra o terror, Israel construiu o denominado
Muro do Apartheid na Palestina ocupada. Esse muro está planejado para
possuir 700 km de extensão. Além de constituir uma grave violação dos
direitos humanos e do direito internacional, o muro incorpora
assentamentos sionistas ilegais, fontes de água, separa comunidades,
crianças de suas escolas, trabalhadores/as de seus locais de trabalho,
ou seja segrega uma população por completo. Denunciamos o caráter
imperialista, racista e violento desse muro. Lutamos pelo fim do muro do
Apartheid na Cisjordânia da mesma forma como lutaríamos contra o
genocídio judeu na segunda Guerra, como lutaríamos pelo fim do Apartheid
na Africa do Sul, nos EUA… E como lutamos pelo fim dos muros do
machismo, do patriarcado, da misoginia.
Por tudo isso,
convocamos a todas e todos para estarem em Porto Alegre, no FSMPL. Vamos
juntas e juntos apoiar um mundo livre de opressões, repleto de
possibilidades, liberdades e responsabilidades coletivas. Vem conosco
mudar o mundo para mudar a vida das mulheres para mudar o mundo!
*Vanessa Gil é cientista social e militante da Marcha Mundial das Mulheres.
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