quinta-feira, 29 de novembro de 2012

FORUM SOCIAL MUNDIAL


Organização divulga mensagem de boas-vindas, programa de conferências e atividades autogestionadas



















Depois de dois anos de debates e trabalho coletivo, milhares de 
ativistas e organizações de 36 países estão se reunindo em Porto Alegre 
para fazer deste Fórum Social Mundial Palestina Livre um evento
 histórico.


Quando a data para esta convergência  em solidariedade ao povo palestino
 foi decidida – exatamente 65 anos depois que a ONU aprovou o Plano
 de Divisão da Palestina – a organização tinha consciência de que seria um 
momento-chave na história. 
Os recentes ataques a Gaza, que em apenas uma semana deixaram mais de
 150 palestinos  mortos e quase 1000 feridos, tornaram este evento urgente. 

O fórum está baseado em um forte processo que construiu um consenso entre os
 comitês  palestino, brasileiro e internacional, fundamentado no Documento de Referência 
desenvolvido na Palestina no início de 2012. O Documento de Referência faz uma análise 
básica da situação na Palestina, identifica claramente as principais demandas e indica
 estratégias de solidariedade para uma paz justa, baseada em direitos humanos e
 no direito internacional.


O programa de eventos autogestionados e as conferências principais vão expandir e 
desenvolver ainda mais este consenso através de propostas de discussões e 
planos de ação, campanhas e iniciativas. As conferências estão programadas de 
forma a apresentar em sequência os objetivos básicos da luta palestina, os marcos
 legais das demandas, campanhas de solidariedade ao redor do mundo, formas de
 construir a solidariedade à Palestina dentro dos movimentos sociais e, finalmente,
 situar a luta palestina entre as lutas dos movimentos globais e locais por liberação.





Para ter mais informações sobre o evento, acesse: http://wsfpalestine.net/


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Jornada Nacional da Juventude orientará sindicatos nas negociações coletivas e na luta por políticas públicas




Jornada Nacional da Juventude orientará sindicatos nas negociações coletivas e na luta por políticas públicas

por: William Pedreira
Ir até a base, identificar as pautas e demandas da juventude trabalhadora e, com estas informações e propostas, organizar uma publicação que orientará a atuação dos sindicatos nas negociações coletivas e na luta por políticas públicas para a juventude. Este é o eixo central da Jornada Nacional da Juventude Trabalhadora. 
Em reunião do Coletivo Nacional, realizada no começo do mês, em São Paulo, definiu-se o cronograma e o planejamento de execução da  Jornada para o próximo período. “O relatório do planejamento sai com prazos e responsáveis para cada atividade.  Algumas questões como a construção da Jornada, a elaboração do relatório, a concentração das informações, ficarão como responsabilidade da Secretaria Nacional da CUT, mas essencialmente a execução de boa parte das atividades ocorrerá pelos secretários estaduais e dos ramos que compõem o Coletivo Nacional”, explicou Alfredo Santos Junior, secretário nacional de Juventude da CUT, em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho.
 
O dirigente da CUT falou também sobre os desafios, as etapas de execução e como a Jornada chegará à base da Central, com o intuito de consolidar avanços e novas conquistas para a juventude trabalhadora. “O que a gente está propondo é levar a Central para o local de trabalho. Quem vai produzir a política e o resultado desta Jornada será o/a jovem trabalhador/a”, frisou.
Leia abaixo a íntegra da entrevista
 
Quando surgiu a ideia de organizar esta Jornada Nacional da Juventude Trabalhadora? Como será trabalhado este projeto?
Foi identificado, desde o 11º Congresso Nacional da CUT, que a Secretaria de Juventude obteve um acúmulo importante no mandato anterior, no ponto de vista das relações institucionais e internacionais, junto aos demais movimentos sociais, ao governo federal, ao Conjuve (Conselho Nacional da Juventude), dando visibilidade a pauta da juventude trabalhadora. O nosso objetivo agora é promover a continuidade do trabalho realizado, dando um passo além ao buscar a promoção de políticas para dentro do movimento sindical, na negociação coletiva de cada sindicato, organizando as demandas da juventude trabalhadora no local de trabalho. Alguns sindicatos possuem, por exemplo, clausulas de conciliação trabalho e estudo, de saúde do trabalhador jovem, mas não temos uma ação organizada da juventude CUTista.
 
Debatendo esta questão no planejamento da CUT Nacional, percebemos que uma alternativa seria formular uma estratégia de ação a partir de uma Jornada Nacional da Juventude Trabalhadora, com o objetivo de mobilizar a juventude para construir propostas sobre as relações de trabalho, nas negociações coletivas dos sindicatos e, também, sobre a juventude rural. Via de regra, na agricultura familiar você tem dois tipos de negociação que essa jornada pretende debater: no caso do trabalhador assalariado rural que se assemelha com o meio urbano via negociação coletiva e o trabalhador rural da agricultura familiar onde as negociações se dão por acesso e desenvolvimento de políticas públicas.
 
Como que a Jornada pretende incorporar as demandas da juventude rural em relação às políticas públicas?
Existem algumas experiências, mas os jovens têm dificuldade de acesso por uma série de motivos, mas principalmente pelo sistema extremamente burocratizado, como no caso do financiamento rural. Nós temos informações do porque, mas não temos uma ação coordenada pela Central para que os sindicatos atuem conjuntamente, visando obstruir essas dificuldades que a juventude rural tem no acesso a essas políticas públicas. Ou mesmo dizer se as políticas existentes atendem de fato a demanda, porque muitas vezes são gestadas em Brasília, sem levar em consideração a diversidade existente no Brasil. Trabalhar com a diversidade é um dos desafios e objetivos desta Jornada. 
 
E como será a relação com os estados e ramos? Como que esta Jornada chegará na base?
A ideia é chegar ao final com propostas que serão reunidas em uma publicação, orientando a atuação dos sindicatos nas negociações coletivas e na luta por políticas públicas para a juventude.
 
A oficina de planejamento do Coletivo Nacional da Juventude teve o papel de definir e dividir tarefas. O relatório do planejamento sai com prazos, responsáveis para cada atividade.  Algumas questões como a construção do projeto, a elaboração do relatório, a concentração das informações ficarão como responsabilidade da Secretaria Nacional da CUT, mas essencialmente a execução de boa parte das atividades ocorrerá pelos secretários estaduais e dos ramos que compõem o Coletivo Nacional.
 
Uma segunda etapa é de que estes secretários estaduais, por exemplo, reúnam–se com os seus coletivos para que, por sua vez, comprometam os sindicatos de base a se integrarem nesta Jornada.
 
A Jornada será construída a partir de três temas gerais: conciliação trabalho e estudo; igualdade de oportunidades; e saúde do trabalhador...
A ideia de definir estes eixos é mais uma questão organizativa do que uma questão prática. Não é um engessamento, apenas uma orientação de como vamos nos organizar. São três eixos que contemplam praticamente tudo.
 
Qual o planejamento desta Jornada?
A Jornada já começou. A ideia é que em 2013 a gente consiga atuar com maior intensidade, realizando grandes encontros estaduais e regionais, da juventude urbana e rural.
 
Esta primeira fase, que deve durar até o meio de 2013, consiste em levar a Jornada para as Federações, Confederações e Estados. Uma vez que as estaduais e ramos tenham executado este planejamento, atuando junto aos sindicatos de base e nos locais de trabalho, propostas de clausulas e de políticas públicas tendem a surgir.
 
Uma vez que foi feito o levantamento das pautas, começa a tarefa de como conquistá-las. O fato de dizermos, por exemplo, que é preciso que os sindicatos tenham pautas de conciliação entre trabalho e estudo não significa que o empresário vai aceitar. Aí começa uma segunda fase que é como devemos organizar a luta para que os patrões aceitem ou sejam levados a incluir nas negociações coletivas as pautas da juventude trabalhadora.
 
Vamos discutir também a construção de novas políticas públicas, como por exemplo, a questão da sucessão rural que é um grande desafio hoje. Definir políticas públicas que garantam a sucessão da propriedade para o jovem é de extrema importância que permitirá a permanência deste jovem na zona rural. É um debate que deve surgir ao longo da Jornada, mas sua efetiva realização vai depender de uma segunda fase que é mobilização e luta.
 
Tanto na CUT Nacional como nas estaduais, nada disso ocorrerá se não tivermos o envolvimento com todas as outras Secretarias. Esta tem que ser uma tarefa da CUT com um todo, na perspectiva de que hoje boa parte dos trabalhadores são jovens. A ratificação desta Jornada deve significar uma aproximação muito maior da CUT junto aos trabalhadores, que favorecerá a Central numa disputa de hegemonia seja na sociedade, seja no movimento sindical ou na disputa com o capital.
 
Qual a sua expectativa em relação aos resultados do projeto?
É uma cadeia de eventos que visa ao final conseguirmos contemplar o máximo da diversidade da juventude que existe no País e, ao mesmo tempo, ter uma orientação coordenada nacionalmente no que é pauta da CUT.
 
Uma pergunta que muitas vezes se faz é: quais as bandeiras, campanhas, as principais pautas que a juventude trabalhadora tem para com o governo e empresários hoje? Quem vai definir isso será a Jornada. Identificar essas principais demandas e, a partir delas, deliberar os caminhos de luta.
 
É um desafio muito grande que estamos nos propondo fazer. Envolver a base da maior central sindical da América Latina é fugir completamente da crítica que às vezes se faz de que as centrais sindicais tem uma posição populista, se afastam da base. O que estamos propondo é o caminho inverso. É levar a CUT para o local de trabalho. Quem vai produzir a política e o resultado desta Jornada será o/a jovem trabalhador/a.
Entrevista realizada por William Pedreira com o secretário nacional de Juventude da CUT, Alfredo Santos Junior, para o Portal Mundo do Trabalho
Ir até a base, identificar as pautas e demandas da juventude trabalhadora e, com estas informações e propostas, organizar uma publicação que orientará a atuação dos sindicatos nas negociações coletivas e na luta por políticas públicas para a juventude. Este é o eixo central da Jornada Nacional da Juventude Trabalhadora. 
Em reunião do Coletivo Nacional, realizada no começo do mês, em São Paulo, definiu-se o cronograma e o planejamento de execução da Jornada para o próximo período. “O relatório do planejamento sai com prazos e responsáveis para cada atividade.  Algumas questões como a construção da Jornada, a elaboração do relatório, a concentração das informações, ficarão como responsabilidade da Secretaria Nacional da CUT, mas essencialmente a execução de boa parte das atividades ocorrerá pelos secretários estaduais e dos ramos que compõem o Coletivo Nacional”, explicou Alfredo Santos Junior, secretário nacional de Juventude da CUT, em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho.
O dirigente da CUT falou também sobre os desafios, as etapas de execução e como a Jornada chegará à base da Central, com o intuito de consolidar avanços e novas conquistas para a juventude trabalhadora. “O que a gente está propondo é levar a Central para o local de trabalho. Quem vai produzir a política e o resultado desta Jornada será o/a jovem trabalhador/a”, frisou.
Leia abaixo a íntegra da entrevista
Quando surgiu a ideia de organizar esta Jornada Nacional da Juventude Trabalhadora? Como será trabalhado este projeto?
Foi identificado, desde o 11º Congresso Nacional da CUT, que a Secretaria de Juventude obteve um acúmulo importante no mandato anterior, no ponto de vista das relações institucionais e internacionais, junto aos demais movimentos sociais, ao governo federal, ao Conjuve (Conselho Nacional da Juventude), dando visibilidade a pauta da juventude trabalhadora. O nosso objetivo agora é promover a continuidade do trabalho realizado, dando um passo além ao buscar a promoção de políticas para dentro do movimento sindical, na negociação coletiva de cada sindicato, organizando as demandas da juventude trabalhadora no local de trabalho. Alguns sindicatos possuem, por exemplo, clausulas de conciliação trabalho e estudo, de saúde do trabalhador jovem, mas não temos uma ação organizada da juventude CUTista.
Debatendo esta questão no planejamento da CUT Nacional, percebemos que uma alternativa seria formular uma estratégia de ação a partir de uma Jornada Nacional da Juventude Trabalhadora, com o objetivo de mobilizar a juventude para construir propostas sobre as relações de trabalho, nas negociações coletivas dos sindicatos e, também, sobre a juventude rural. Via de regra, na agricultura familiar você tem dois tipos de negociação que essa jornada pretende debater: no caso do trabalhador assalariado rural que se assemelha com o meio urbano via negociação coletiva e o trabalhador rural da agricultura familiar onde as negociações se dão por acesso e desenvolvimento de políticas públicas.
Como que a Jornada pretende incorporar as demandas da juventude rural em relação às políticas públicas?
Existem algumas experiências, mas os jovens têm dificuldade de acesso por uma série de motivos, mas principalmente pelo sistema extremamente burocratizado, como no caso do financiamento rural. Nós temos informações do porque, mas não temos uma ação coordenada pela Central para que os sindicatos atuem conjuntamente, visando obstruir essas dificuldades que a juventude rural tem no acesso a essas políticas públicas. Ou mesmo dizer se as políticas existentes atendem de fato a demanda, porque muitas vezes são gestadas em Brasília, sem levar em consideração a diversidade existente no Brasil. Trabalhar com a diversidade é um dos desafios e objetivos desta Jornada. 
E como será a relação com os estados e ramos? Como que esta Jornada chegará na base?
A ideia é chegar ao final com propostas que serão reunidas em uma publicação, orientando a atuação dos sindicatos nas negociações coletivas e na luta por políticas públicas para a juventude.
A oficina de planejamento do Coletivo Nacional da Juventude teve o papel de definir e dividir tarefas. O relatório do planejamento sai com prazos, responsáveis para cada atividade.  Algumas questões como a construção do projeto, a elaboração do relatório, a concentração das informações ficarão como responsabilidade da Secretaria Nacional da CUT, mas essencialmente a execução de boa parte das atividades ocorrerá pelos secretários estaduais e dos ramos que compõem o Coletivo Nacional.
Uma segunda etapa é de que estes secretários estaduais, por exemplo, reúnam–se com os seus coletivos para que, por sua vez, comprometam os sindicatos de base a se integrarem nesta Jornada.
A Jornada será construída a partir de três temas gerais: conciliação trabalho e estudo; igualdade de oportunidades; e saúde do trabalhador...
A ideia de definir estes eixos é mais uma questão organizativa do que uma questão prática. Não é um engessamento, apenas uma orientação de como vamos nos organizar. São três eixos que contemplam praticamente tudo.
Qual o planejamento desta Jornada?
A Jornada já começou. A ideia é que em 2013 a gente consiga atuar com maior intensidade, realizando grandes encontros estaduais e regionais, da juventude urbana e rural.
Esta primeira fase, que deve durar até o meio de 2013, consiste em levar a Jornada para as Federações, Confederações e Estados. Uma vez que as estaduais e ramos tenham executado este planejamento, atuando junto aos sindicatos de base e nos locais de trabalho, propostas de clausulas e de políticas públicas tendem a surgir.
Uma vez que foi feito o levantamento das pautas, começa a tarefa de como conquistá-las. O fato de dizermos, por exemplo, que é preciso que os sindicatos tenham pautas de conciliação entre trabalho e estudo não significa que o empresário vai aceitar. Aí começa uma segunda fase que é como devemos organizar a luta para que os patrões aceitem ou sejam levados a incluir nas negociações coletivas as pautas da juventude trabalhadora.
Vamos discutir também a construção de novas políticas públicas, como por exemplo, a questão da sucessão rural que é um grande desafio hoje. Definir políticas públicas que garantam a sucessão da propriedade para o jovem é de extrema importância que permitirá a permanência deste jovem na zona rural. É um debate que deve surgir ao longo da Jornada, mas sua efetiva realização vai depender de uma segunda fase que é mobilização e luta.
Tanto na CUT Nacional como nas estaduais, nada disso ocorrerá se não tivermos o envolvimento com todas as outras Secretarias. Esta tem que ser uma tarefa da CUT com um todo, na perspectiva de que hoje boa parte dos trabalhadores são jovens. A ratificação desta Jornada deve significar uma aproximação muito maior da CUT junto aos trabalhadores, que favorecerá a Central numa disputa de hegemonia seja na sociedade, seja no movimento sindical ou na disputa com o capital.
Qual a sua expectativa em relação aos resultados do projeto?
É uma cadeia de eventos que visa ao final conseguirmos contemplar o máximo da diversidade da juventude que existe no País e, ao mesmo tempo, ter uma orientação coordenada nacionalmente no que é pauta da CUT.
Uma pergunta que muitas vezes se faz é: quais as bandeiras, campanhas, as principais pautas que a juventude trabalhadora tem para com o governo e empresários hoje? Quem vai definir isso será a Jornada. Identificar essas principais demandas e, a partir delas, deliberar os caminhos de luta.
É um desafio muito grande que estamos nos propondo fazer. Envolver a base da maior central sindical da América Latina é fugir completamente da crítica que às vezes se faz de que as centrais sindicais tem uma posição populista, se afastam da base. O que estamos propondo é o caminho inverso. É levar a CUT para o local de trabalho. Quem vai produzir a política e o resultado desta Jornada será o/a jovem trabalhador/a.

“Nova classe média”: preferências econômicas e políticas



T“Nova classe média”: preferências econômicas e políticas
Classe C e Nova Classe Média
Em comparação com os últimos cinquenta anos, o Brasil convive atualmente com uma experiência inédita na transformação de sua estrutura social. As políticas de elevação real do salário mínimo, de expansão da oferta de crédito e de ampliação dos programas de transferência de renda estimularam o crescimento do PIB com base no avanço do mercado interno e originaram um tripé socioeconômico virtuoso caracterizado pelo aumento do mercado formal de trabalho, pela redução da pobreza e pela melhora na distribuição de renda.
Essa combinação de fatores tem como uma de suas principais conseqüências um fenômeno nem sempre analisado com o devido cuidado e rigor: o crescimento daquilo que se chama de modo inapropriado de “classe C” ou “nova classe média”.
Embora o adensamento das camadas intermediárias seja um fenômeno incontestável, a maior parte das pesquisas que captam essa mudança incorre em dois erros:
(i) Há uma associação superficial entre renda individual e classe social. O fato, por exemplo, de um trabalhador industrial qualificado e um professor universitário auferirem a mesma renda pode ser encarado como um indicador macroeconômico de redução da desigualdade. Mas, sociologicamente, diz muito pouco, ou quase nada, sobre seus estilos de vida distintos e seus hábitos de consumo diferentes. Tais ganhos, certamente, serão utilizados a partir de referências culturais e entre redes sociais que não garantem nenhum laço de pertencimento de classe, pelo contrário: o mais provável é que a realização do consumo revele status sociais ainda muito desiguais. Nesse sentido, há muitas diferenças entre o estilo de vida da classe média estabelecida e da chamada “nova classe média” que estão longe de ser transpostas.
(ii) Há uma relação inadequada entre renda média e estrato médio. Na maior parte das vezes, os estudos que abordam o assunto referem-se à média em seu sentido algébrico, ou seja: média é a posição matemática daquilo que está igualmente distante dos pontos extremos. Como a distribuição de renda no país é historicamente severa e como há uma distância muito grande entre os muito ricos e os extremamente pobres, o agrupamento intermediário orbita numa vasta faixa de rendimentos que vai, aproximadamente, de R$ 1000 a R$ 5000. Essa zona de estratificação dilatada impede análises mais criteriosas. Sendo assim, as denominações “classe C” e “nova classe média” são infelizes, posto que transmitem a impressão de que o Brasil está se tornando aquilo que não é: um país em que os remediados são a maioria e no qual a pobreza vai tornando-se um problema residual.
Para compreender essas mudanças em sua inteireza é preciso empreender uma análise que incorpore outras variáveis como estrutura ocupacional, acesso a mercadorias privadas e a serviços públicos, padrões de consumo, entre outros. 
Perfil e preferências econômicas
Sob essa perspectiva o que se evidencia é que o mais adequado é denominar o estrato que ascendeu socialmente e economicamente nos últimos anos de nova classe trabalhadora urbana. Do ponto de vista ocupacional, trata-se de vendedores, balconistas, motoristas, motoboys, profissionais de telemarketing, os diversos tipos de auxiliares que atuam em empresas e comércios, recepcionistas, cabeleireiros, garçons e uma heterogeneidade de trabalhadores qualificados.
Do ponto de vista da educação, seus integrantes, na maioria, são aqueles que utilizam as escolas públicas ou escolas particulares com mensalidades mais baixas; e do ponto de vista da saúde, são aqueles que necessitam dos hospitais públicos ou de planos de saúde mais baratos. Esse balanceio instável entre os serviços públicos e as possibilidades privadas mais “em conta” se reproduz em outras esferas: habitação, transporte, segurança, alimentação, cultura, lazer, entretenimento etc.
Por esses motivos, ao contrário da classe média estabelecida que se queixa dos impostos inadvertidamente, a nova classe trabalhadora percebe com contrariedade o aumento de impostos, taxas e tarifas pois sua elevação lhe afeta mais diretamente o poder de compra, mas ela também reconhece a importância e a necessidade dos serviços públicos pois depende deles mais frequentemente.
Essa nova classe trabalhadora, em grande medida, trabalha de 10 a 14 horas por dia, tem dois ou mais empregos, trabalha de dia enquanto estuda a noite, e nas grandes cidades enfrenta horas de transporte público enquanto se desloca entre a casa e o trabalho. Também por esses motivos, ao contrário da classe média tradicional que tudo atribui ao mérito individual, a nova classe trabalhadora percebe sua ascensão como fruto do esforço individual e de privações, mas sabe que precisa contar frequentemente com alguma rede de solidariedade e laços fraternos entre os amigos e os vizinhos.
Mais do que outros estratos, esse grupo se beneficia da expansão do crédito ao consumidor e está satisfeito com a possibilidade de adquirir novos bens considerados indispensáveis para o conforto doméstico e para a melhora na qualidade de vida na cidade, esse grupo está disposto a encontrar sua sociabilidade pelos caminhos do consumo.
Idéias e preferências políticas
Esse conjunto de ambiguidades leva a crer que a nova classe trabalhadora não necessariamente tem uma consciência conservadora. Pelo contrário, esse setor está potencialmente disponível e aberto a visões mais progressistas, seus valores e seu voto podem ser conquistados pela esquerda.
Para compreender a relação entre as preferências econômicas e políticas dessa nova classe trabalhadora é fundamental considerar que o aumento do poder de compra possibilitou o acesso a novos canais de formação e informação, mais do que isso: tais canais têm sido ocupados, sobretudo, por um número significativo de jovens e é a partir desse grupo que se irradiam certas opiniões políticas e eleitorais.
A progressiva ampliação do acesso à educação e à internet tem promovido uma importante mudança em suas exigências e interesses políticos. No atual contexto, o eixo da formação de opinião se deslocou dos pais ou de velhas lideranças locais (representantes comunitários, padres e pastores) para os filhos.
A maior parte desses jovens tem níveis de escolaridade mais elevados do que os dos pais, estão conquistando uma melhor inserção profissional e seguem atentos para as mudanças tecnológicas, por isso eles são ouvidos com maior atenção dentro das suas famílias e comunidades, atuando como referências prioritárias para a formação de opinião, de forma mais incisiva do que as propagandas e a própria televisão.
Os pais dessa nova geração enxergavam o mundo pela ótica da carência que marca a periferia, observavam os políticos considerando aquilo que não havia sido feito e permaneciam mais suscetíveis a promessas de campanhas eleitorais. Já essa nova geração - ao circular por novos espaços como a universidade e as redes sociais - enxerga o mundo por uma ótica mais ampla, dispõe de um maior número de referências para operar comparações, avalia os políticos e os partidos considerando aquilo que deveria ter sido feito e nutre maior desconfiança com relação a promessas de campanhas eleitorais. Vale ainda notar que, se por um lado, eles não desejam o estilo de vida da elite, por outro, eles desejam continuar ascendendo socialmente.
Essa disposição para a mudança, entretanto, passa por marcos ambivalentes: esses jovens acreditam na política, mas não crêem em partidos; reconhecem a importância da coletividade, mas almejam crescer individualmente; buscam transformações, mas são pouco afeitos a rupturas; anseiam por novas ideias, mas são também pragmáticos. Em suma, esse novo caldo cultural exigirá renovações tanto na forma como se realiza a política partidária quanto no conteúdo das políticas públicas que se implementam.
A mistura entre valores do liberalismo, do individualismo, da ascensão pelo trabalho e do sucesso pelo mérito, com valores mais solidários e coletivistas relacionadas à atuação do Estado, à universalização de direitos, à ampliação da inclusão social, permeiam a visão de mundo e o imaginário dessa nova classe trabalhadora.
A nova classe trabalhadora entendida como um novo sujeito político pode fazer toda a diferença nos embates sociais, políticos, ideológicos e eleitorais que serão travados de agora em diante.
(*) William Nozaki é Sociólogo e Economista, professor da Universidade Mackenzie e doutorando em desenvolvimento econômico (IE/Unicamp).
Por William Nozaki, publicado originalmente na Carta Maior
Classe C e Nova Classe Média
Em comparação com os últimos cinquenta anos, o Brasil convive atualmente com uma experiência inédita na transformação de sua estrutura social. As políticas de elevação real do salário mínimo, de expansão da oferta de crédito e de ampliação dos programas de transferência de renda estimularam o crescimento do PIB com base no avanço do mercado interno e originaram um tripé socioeconômico virtuoso caracterizado pelo aumento do mercado formal de trabalho, pela redução da pobreza e pela melhora na distribuição de renda.
Essa combinação de fatores tem como uma de suas principais conseqüências um fenômeno nem sempre analisado com o devido cuidado e rigor: o crescimento daquilo que se chama de modo inapropriado de “classe C” ou “nova classe média”.
Embora o adensamento das camadas intermediárias seja um fenômeno incontestável, a maior parte das pesquisas que captam essa mudança incorre em dois erros:
(i) Há uma associação superficial entre renda individual e classe social. O fato, por exemplo, de um trabalhador industrial qualificado e um professor universitário auferirem a mesma renda pode ser encarado como um indicador macroeconômico de redução da desigualdade. Mas, sociologicamente, diz muito pouco, ou quase nada, sobre seus estilos de vida distintos e seus hábitos de consumo diferentes. Tais ganhos, certamente, serão utilizados a partir de referências culturais e entre redes sociais que não garantem nenhum laço de pertencimento de classe, pelo contrário: o mais provável é que a realização do consumo revele status sociais ainda muito desiguais. Nesse sentido, há muitas diferenças entre o estilo de vida da classe média estabelecida e da chamada “nova classe média” que estão longe de ser transpostas.
(ii) Há uma relação inadequada entre renda média e estrato médio. Na maior parte das vezes, os estudos que abordam o assunto referem-se à média em seu sentido algébrico, ou seja: média é a posição matemática daquilo que está igualmente distante dos pontos extremos. Como a distribuição de renda no país é historicamente severa e como há uma distância muito grande entre os muito ricos e os extremamente pobres, o agrupamento intermediário orbita numa vasta faixa de rendimentos que vai, aproximadamente, de R$ 1000 a R$ 5000. Essa zona de estratificação dilatada impede análises mais criteriosas. Sendo assim, as denominações “classe C” e “nova classe média” são infelizes, posto que transmitem a impressão de que o Brasil está se tornando aquilo que não é: um país em que os remediados são a maioria e no qual a pobreza vai tornando-se um problema residual.
Para compreender essas mudanças em sua inteireza é preciso empreender uma análise que incorpore outras variáveis como estrutura ocupacional, acesso a mercadorias privadas e a serviços públicos, padrões de consumo, entre outros. 
Perfil e preferências econômicas
Sob essa perspectiva o que se evidencia é que o mais adequado é denominar o estrato que ascendeu socialmente e economicamente nos últimos anos de nova classe trabalhadora urbana. Do ponto de vista ocupacional, trata-se de vendedores, balconistas, motoristas, motoboys, profissionais de telemarketing, os diversos tipos de auxiliares que atuam em empresas e comércios, recepcionistas, cabeleireiros, garçons e uma heterogeneidade de trabalhadores qualificados.
Do ponto de vista da educação, seus integrantes, na maioria, são aqueles que utilizam as escolas públicas ou escolas particulares com mensalidades mais baixas; e do ponto de vista da saúde, são aqueles que necessitam dos hospitais públicos ou de planos de saúde mais baratos. Esse balanceio instável entre os serviços públicos e as possibilidades privadas mais “em conta” se reproduz em outras esferas: habitação, transporte, segurança, alimentação, cultura, lazer, entretenimento etc.
Por esses motivos, ao contrário da classe média estabelecida que se queixa dos impostos inadvertidamente, a nova classe trabalhadora percebe com contrariedade o aumento de impostos, taxas e tarifas pois sua elevação lhe afeta mais diretamente o poder de compra, mas ela também reconhece a importância e a necessidade dos serviços públicos pois depende deles mais frequentemente.
Essa nova classe trabalhadora, em grande medida, trabalha de 10 a 14 horas por dia, tem dois ou mais empregos, trabalha de dia enquanto estuda a noite, e nas grandes cidades enfrenta horas de transporte público enquanto se desloca entre a casa e o trabalho. Também por esses motivos, ao contrário da classe média tradicional que tudo atribui ao mérito individual, a nova classe trabalhadora percebe sua ascensão como fruto do esforço individual e de privações, mas sabe que precisa contar frequentemente com alguma rede de solidariedade e laços fraternos entre os amigos e os vizinhos.
Mais do que outros estratos, esse grupo se beneficia da expansão do crédito ao consumidor e está satisfeito com a possibilidade de adquirir novos bens considerados indispensáveis para o conforto doméstico e para a melhora na qualidade de vida na cidade, esse grupo está disposto a encontrar sua sociabilidade pelos caminhos do consumo.
Idéias e preferências políticas
Esse conjunto de ambiguidades leva a crer que a nova classe trabalhadora não necessariamente tem uma consciência conservadora. Pelo contrário, esse setor está potencialmente disponível e aberto a visões mais progressistas, seus valores e seu voto podem ser conquistados pela esquerda.
Para compreender a relação entre as preferências econômicas e políticas dessa nova classe trabalhadora é fundamental considerar que o aumento do poder de compra possibilitou o acesso a novos canais de formação e informação, mais do que isso: tais canais têm sido ocupados, sobretudo, por um número significativo de jovens e é a partir desse grupo que se irradiam certas opiniões políticas e eleitorais.
A progressiva ampliação do acesso à educação e à internet tem promovido uma importante mudança em suas exigências e interesses políticos. No atual contexto, o eixo da formação de opinião se deslocou dos pais ou de velhas lideranças locais (representantes comunitários, padres e pastores) para os filhos.
A maior parte desses jovens tem níveis de escolaridade mais elevados do que os dos pais, estão conquistando uma melhor inserção profissional e seguem atentos para as mudanças tecnológicas, por isso eles são ouvidos com maior atenção dentro das suas famílias e comunidades, atuando como referências prioritárias para a formação de opinião, de forma mais incisiva do que as propagandas e a própria televisão.
Os pais dessa nova geração enxergavam o mundo pela ótica da carência que marca a periferia, observavam os políticos considerando aquilo que não havia sido feito e permaneciam mais suscetíveis a promessas de campanhas eleitorais. Já essa nova geração - ao circular por novos espaços como a universidade e as redes sociais - enxerga o mundo por uma ótica mais ampla, dispõe de um maior número de referências para operar comparações, avalia os políticos e os partidos considerando aquilo que deveria ter sido feito e nutre maior desconfiança com relação a promessas de campanhas eleitorais. Vale ainda notar que, se por um lado, eles não desejam o estilo de vida da elite, por outro, eles desejam continuar ascendendo socialmente.
Essa disposição para a mudança, entretanto, passa por marcos ambivalentes: esses jovens acreditam na política, mas não crêem em partidos; reconhecem a importância da coletividade, mas almejam crescer individualmente; buscam transformações, mas são pouco afeitos a rupturas; anseiam por novas ideias, mas são também pragmáticos. Em suma, esse novo caldo cultural exigirá renovações tanto na forma como se realiza a política partidária quanto no conteúdo das políticas públicas que se implementam.
A mistura entre valores do liberalismo, do individualismo, da ascensão pelo trabalho e do sucesso pelo mérito, com valores mais solidários e coletivistas relacionadas à atuação do Estado, à universalização de direitos, à ampliação da inclusão social, permeiam a visão de mundo e o imaginário dessa nova classe trabalhadora.
A nova classe trabalhadora entendida como um novo sujeito político pode fazer toda a diferença nos embates sociais, políticos, ideológicos e eleitorais que serão travados de agora em diante.
(*) William Nozaki é Sociólogo e Economista, professor da Universidade Mackenzie e doutorando em desenvolvimento econômico (IE/Unicamp).

A reinvenção da Caixa Econômica Federal

A reinvenção da Caixa Econômica Federal


A reinvenção da Caixa Econômica Federal
Por Cláudio Puty, publicado no Jornal O Liberal *
A enorme crise econômica iniciada em 2008 e as respectivas medidas de estímulo ao crédito tomadas pelo governo naquele momento deram ampla visibilidade ao estratégico papel dos bancos públicos na gestão macroeconômica, ao contrário do que muitos sabichões neoliberais preconizam.
Foram os bancos públicos federais, o Banco do Brasil (BB), a Caixa Econômica Federal (Caixa) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)  que garantiram preciosa injeção de liquidez em uma economia  que viu bancos privados retraírem, por excesso de precaução, seus financiamentos. Como resultado, a participação do crédito dos bancos públicos no total do crédito passou de 35% antes da crise para 41% em janeiro de 2010 e nós evitamos o pior, que seria uma escalada recessiva nos moldes do que vemos ainda hoje nas principais economias do mundo.
Na segunda onda da Crise Mundial que agora observamos, mais uma vez os bancos públicos tiveram um papel decisivo na operação dos novos rumos de política econômica. Junto com o BB, a Caixa assumiu um papel decisivo no aumento do crédito no mercado. No segundo trimestre deste ano os bancos públicos injetaram R$ 65,7 bilhões na economia, valor que representa mais de 70% do crescimento total do crédito no país – R$ 93 bilhões no período. A Caixa foi mais agressiva, registrando alta de 51,5% na carteira de crédito do primeiro semestre. Sua participação nas concessões, excluindo financiamentos imobiliários, subiu de 5,9% em dezembro de 2011 para 7,1% em junho. Tudo isso ainda sendo a operadora de diversos programa sociais importantes como o Bolsa Família.  
Aproveitando o novo cenário, os bancos públicos se revigoram e crescem.  A Caixa está executando um arrojado plano de expansão de suas atividades, com o objetivo de se tornar um dos três maiores bancos do país até 2022 (hoje ela é o quarto). Para que essa expansão possa se viabilizar, a presidenta Dilma Rousseff assinou, em agosto último, um decreto que aumentou o capital social da Caixa para R$ 1,5 bilhão, por meio de transferência de ações da Petrobras.
Matérias publicadas pelo jornal Valor Econômico revelam claramente essa opção da Caixa: a instituição solicitou ao Banco Central autorização para abrir um banco de investimento para entrar no mercado de capitais – área em que ela tem todas as condições de crescer agora que os juros estão mais baixos –; começou a operar com crédito rural para a safra 2012/13 e vai passar a financiar exportações. Além disso, a Caixa criou, numa sociedade da CaixaPar, Funcef (fundo de pensão) e a IBM, uma empresa para desenvolver uma nova plataforma digital para o crédito imobiliário. E também anunciou que abrirá mais 500 agências e mil casas lotéricas, com a contratação de mais 12 mil funcionários até o ano que vem.
A política da presidenta Dilma Rousseff de baixar a taxa de juros levou a instituição a ser mais agressiva no corte do custo do dinheiro nas diversas linhas de crédito. Com isso, a Caixa mais do que duplicou a participação no crédito total do sistema bancário: 13,7% em 2012, contra 6% em 2007, antes da crise econômica.
Ainda de acordo com o Valor Econômico, a carteira de veículos que dá à Caixa 4% do mercado deverá aumentar – com a ajuda do PanAmericano, comprado pela Caixa – para 10% até o fim do ano. Já a área de seguros e previdência, que representa entre 20% a 25% da carteira dos grandes bancos, é apenas 10% para a Caixa, mas também deve crescer, bem como o crédito rural, que hoje corresponde a algo entre 8% e 10% do mercado.
Uma das mais significativas ações de natureza social da Caixa é o de ser o agente financeiro do programa Minha Casa, Minha Vida. A meta da segunda fase do programa (2011-2014) é construir 2,4 milhões de unidades habitacionais, das quais 60% voltadas para famílias de baixa renda.
A Crise Mundial apontou para todos nós o papel dos bancos públicos. A manutenção do crédito em meio à incerteza e a queda dos spreads, duas decisões de política econômica fundamentais por eles operadas demonstram a importância de fortalecê-los. Ainda bem que os neoliberais não conseguiram vendê-los.
* Cláudio Puty é Deputado Federal e membro da Coordenação Nacional da DS. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Fórum Social Mundial Palestina Livre


Vanessa Gil*

Entre os dias 28 de novembro e 1 de dezembro de 2012, em Porto Alegre, será realizado o Fórum Social Mundial Palestina Livre. A Marcha Mundial de Mulheres integra o comitê nacional e local de organização do evento. Mas qual a ligação do movimento feminista com o que ocorre na Palestina?

A luta do povo palestino se inicia em 1948, quando a ONU concede mais da metade do território palestino para a criação do Estado de Israel. Isso atendia aos interesses não só do movimento sionista, como aos interesses econômicos da Inglaterra. Não é a toa que Israel tem servido como principal aliado dos interesses imperialistas na região.

Entretanto, o movimento sionista não se conteve em ver o seu país consolidado e passou a ocupar as terras que haviam sido deixadas para os palestinos/as, mesmo que esses/as tivessem uma população muito maior.

Desde então, as palestinas e palestinos têm sido expulsos de suas casas e sofrem as mais cruéis formas de violência por parte do exército de Israel. Um exemplo disso foi o massacre no campo de refugiados de Sabra e Chatila, que deixou mais de 3 mil palestinos/as mortos/as, e que completou trinta anos em setembro. Na noite de 16 de setembro de 1982, os militares israelenses liberaram o caminho para que Milícia Libanesa Falangista Cristã entrasse no campo em Beirute e massacrassem os/as alojados/as. Crianças, idosos/as e homens foram mortos, enquanto as mulheres eram estupradas.

Pela desmilitarização e liberdade para as mulheres
Nós da Marcha Mundial das Mulheres compreendemos que em guerras e territórios militarizados as mulheres são as mais afetadas. É delas a responsabilidade de cuidar das crianças, dos idosos/as e dos/as doentes. O vídeo acima demonstra o sofrimento das mulheres que sobreviveram e que ficaram sem os pais, maridos, filhos e filhas. Seu direito de ir e vir torna-se nulo diante dos incontáveis toques de recolher impostos por Israel e pelo perigo de depara-se com um soldado israelense. A ideologia imperialista, patriarcal, racista e militar de Israel impede a liberdade e destrói a vida das mulheres palestinas.

Pelo fim de todos os muros
A ideologia do Estado de Israel tenta confundir antissionismo com antissemitismo, tentando transformar os processos de resistência de um povo que vive sob ocupação militar em terrorismo. Utilizando-se do pretexto da “segurança” contra o terror, Israel construiu o denominado Muro do Apartheid na  Palestina ocupada. Esse muro está planejado para possuir 700 km de extensão. Além de constituir uma grave violação dos direitos humanos e do direito internacional, o muro incorpora assentamentos sionistas ilegais, fontes de água, separa comunidades, crianças de suas escolas, trabalhadores/as de seus locais de trabalho, ou seja segrega uma população por completo. Denunciamos o caráter imperialista, racista e violento desse muro. Lutamos pelo fim do muro do Apartheid na Cisjordânia da mesma forma como lutaríamos contra o genocídio judeu na segunda Guerra, como lutaríamos pelo fim do Apartheid na Africa do Sul, nos EUA… E como lutamos pelo fim dos muros do machismo, do patriarcado, da misoginia.
Por tudo isso, convocamos a todas e todos para estarem em Porto Alegre, no FSMPL. Vamos juntas e juntos apoiar um mundo livre de opressões, repleto de possibilidades, liberdades e responsabilidades coletivas. Vem conosco mudar o mundo para mudar a vida das mulheres para mudar o mundo!

*Vanessa Gil é cientista social e militante da Marcha Mundial das Mulheres.


Brasil Rural Contemporâneo terá espaço para apresentação dos programas do MDA

 Quem passar pelo Rio de Janeiro entre os dias 21 e 25 de novembro, terá a oportunidade de conhecer a maior feira da agricultura familiar e reforma agrária da América Latina. Serão 40 mil m2, abrigando 650 empreendimentos, com espaços diversificados, voltados para todos os públicos. Um desses espaços vai abrigar o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Nele os visitantes vão conhecer  as ações, programas e as políticas públicas que contribuem com o desenvolvimento do Brasil Rural Contemporâneo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, estará presente no Espaço Institucional, onde será instalado o seu gabinete durante os dias de feira.  Já às  secretarias do MDA tem reservados ambientes onde os visitantes vão poder trocar experiências e informações com os técnicos, que estarão à disposição durante os cinco dias de evento. Além disso, dois auditórios, de 50 e 100 lugares, serão  palco para lançamentos de livros, vídeos e ações institucionais, aberto para o público em geral.
Confira a programação completa.
ESPAÇO INSTITUCIONAL
- Quinta-feira, 22
13h30: Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais - Lançamento de publicação do Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR)
15h: Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais – Lançamento do livro Estatísticas Rurais e a Perspectiva de Gênero
16h30: Secretaria da Agricultura Familiar – 'Nutre Brasil - Assinatura dos contratos de Ater para inserção de cooperativas no PNAE e outros mercados' 
18h: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – Lançamento da publicação "Superação da pobreza e a nova classe média no campo" 
- Sexta-feira, 23
13h30: Secretaria de Reordenamento Agrário (SRA) – Assinatura de termo de cooperação técnica entre a Universidade Federal de Santa Catarina e a SRA sobre estudo e intercâmbio das ações de reordenamento e gestão fundiária
15h: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural - Lançamento do documentário e do livro 'As folias de Reis no Norte do Paraná' 
16h30: Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais – Lançamento vídeo: Mulheres e Autonomia
17h30: Reservado à SPM 
- Sábado, 24
13h30: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais - Assinatura de portaria do Selo Quilombola - Seppir e MDA
15h: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – Lançamento das publicações "Retrato da repressão política no campo" e "A louca de las Yagrumas" 
17h: Lançamento do Livro “A Agricultura Familiar Alimentando o Brasil” - Fani Mamede 
18h30: Entrega do "Prêmio IICA 70 anos" 
- Domingo, 25
13h30: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Relançamento do Livro Experiências de Assistência Técnica e Extensão Rural junto aos Povos Indígenas: o desafio da Interculturalidade 
15h: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Lançamento do Livro 3º Prêmio Territórios Quilombolas 
16h30: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – Lançamento do Documentário 'João Surá - música tradicional no quilombo' 
AUDITÓRIO JOSUÉ DE CASTRO – 50 lugares
- Sexta-feira, 23
13h30: GIZ- Painel de encerramento do Seminário de Matchmaking 
17h: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural e Secretaria do Reordenamento Agrário - Palestra Gestão Fundiária no Brasil
19h30: Secretaria do Reordenamento Agrário - Coquetel de lançamento de livros da secretaria
- Sábado, 24
 10h30: Secretaria Extraordinária de Regualarização Fundiária na Amazônia Legal - Cidadania e desenvolvimento sustentável para quem vive e produz na Amazônia Legal: um debate sobre os desafios da regularização fundiária 
13h30: Secretaria de Desenvolvimento Territorial – Projeto Repensando o Conceito de Ruralidade no Brasil: Implicações para as Políticas Públicas.
- Domingo, 25
13h30: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Relançamento do Livro Experiências de Assistência Técnica e Extensão Rural junto aos Povos Indígenas: o desafio da Interculturalidade 
15h: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Lançamento do Livro 3º Prêmio Territórios Quilombolas 
16h30: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – Lançamento do Documentário 'João Surá - música tradicional no quilombo' 
AUDITÓRIO MARGARIDA ALVES – 100 lugares
- Quinta-feira, 22
13h30: Secretaria de Reordenamento Agrário – Oficina do Programa Nacional de Crédito Fundiário
17h: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Lançamento da Rede Temática de Assistência Técnica e Extensão Rural Quilombola
- Sexta-feira, 23
14h30: Secretaria de Desenvolvimento Territorial – "Um olhar crítico sobre o Programa Territórios da Cidadania: avanços, limites e desafios." Coordenação: Andrea Butto 
17h: Banco do Nordeste – Apresentação do tema Agroamigo: Programa de Microfinança Rural – Uma parceria de sucesso com o MDA 
- Sábado, 24
Das 10h às 18h30: Secretaria de Reordenamento Agrário – Encontro Nacional do Programa Arca das Letras



















Do site da Feira Brasil Rural Contemporâneo
Quem passar pelo Rio de Janeiro entre os dias 21 e 25 de novembro, terá a oportunidade de conhecer a maior feira da agricultura familiar e reforma agrária da América Latina. Serão 40 mil m2, abrigando 650 empreendimentos, com espaços diversificados, voltados para todos os públicos. Um desses espaços vai abrigar o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Nele os visitantes vão conhecer  as ações, programas e as políticas públicas que contribuem com o desenvolvimento do Brasil Rural Contemporâneo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, estará presente no Espaço Institucional, onde será instalado o seu gabinete durante os dias de feira.  Já às  secretarias do MDA tem reservados ambientes onde os visitantes vão poder trocar experiências e informações com os técnicos, que estarão à disposição durante os cinco dias de evento. Além disso, dois auditórios, de 50 e 100 lugares, serão  palco para lançamentos de livros, vídeos e ações institucionais, aberto para o público em geral.

Confira a programação completa.
ESPAÇO INSTITUCIONAL
- Quinta-feira, 22
13h30: Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais - Lançamento de publicação do Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR)
15h: Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais – Lançamento do livro Estatísticas Rurais e a Perspectiva de Gênero
16h30: Secretaria da Agricultura Familiar – 'Nutre Brasil - Assinatura dos contratos de Ater para inserção de cooperativas no PNAE e outros mercados' 
18h: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – Lançamento da publicação "Superação da pobreza e a nova classe média no campo" 
- Sexta-feira, 23
13h30: Secretaria de Reordenamento Agrário (SRA) – Assinatura de termo de cooperação técnica entre a Universidade Federal de Santa Catarina e a SRA sobre estudo e intercâmbio das ações de reordenamento e gestão fundiária
15h: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural - Lançamento do documentário e do livro 'As folias de Reis no Norte do Paraná' 
16h30: Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais – Lançamento vídeo: Mulheres e Autonomia
17h30: Reservado à SPM 
- Sábado, 24
13h30: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais - Assinatura de portaria do Selo Quilombola - Seppir e MDA
15h: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – Lançamento das publicações "Retrato da repressão política no campo" e "A louca de las Yagrumas" 
17h: Lançamento do Livro “A Agricultura Familiar Alimentando o Brasil” - Fani Mamede 
18h30: Entrega do "Prêmio IICA 70 anos" 
- Domingo, 25
13h30: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Relançamento do Livro Experiências de Assistência Técnica e Extensão Rural junto aos Povos Indígenas: o desafio da Interculturalidade 
15h: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Lançamento do Livro 3º Prêmio Territórios Quilombolas 
16h30: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – Lançamento do Documentário 'João Surá - música tradicional no quilombo' 

AUDITÓRIO JOSUÉ DE CASTRO – 50 lugares
- Sexta-feira, 23
13h30: GIZ- Painel de encerramento do Seminário de Matchmaking 
17h: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural e Secretaria do Reordenamento Agrário - Palestra Gestão Fundiária no Brasil
19h30: Secretaria do Reordenamento Agrário - Coquetel de lançamento de livros da secretaria
- Sábado, 24
10h30: Secretaria Extraordinária de Regualarização Fundiária na Amazônia Legal - Cidadania e desenvolvimento sustentável para quem vive e produz na Amazônia Legal: um debate sobre os desafios da regularização fundiária 
13h30: Secretaria de Desenvolvimento Territorial – Projeto Repensando o Conceito de Ruralidade no Brasil: Implicações para as Políticas Públicas.
- Domingo, 25
13h30: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Relançamento do Livro Experiências de Assistência Técnica e Extensão Rural junto aos Povos Indígenas: o desafio da Interculturalidade 
15h: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Lançamento do Livro 3º Prêmio Territórios Quilombolas 
16h30: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – Lançamento do Documentário 'João Surá - música tradicional no quilombo' 

AUDITÓRIO MARGARIDA ALVES – 100 lugares
- Quinta-feira, 22
13h30: Secretaria de Reordenamento Agrário – Oficina do Programa Nacional de Crédito Fundiário
17h: Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais – Lançamento da Rede Temática de Assistência Técnica e Extensão Rural Quilombola
- Sexta-feira, 23
14h30: Secretaria de Desenvolvimento Territorial – "Um olhar crítico sobre o Programa Territórios da Cidadania: avanços, limites e desafios." Coordenação: Andrea Butto 
17h: Banco do Nordeste – Apresentação do tema Agroamigo: Programa de Microfinança Rural – Uma parceria de sucesso com o MDA 
- Sábado, 24
Das 10h às 18h30: Secretaria de Reordenamento Agrário – Encontro Nacional do Programa Arca das Letras